segunda-feira, 12 de março de 2007

Professores decretam greve na Unimep a partir de 5a. feira.

A assembléia dos professores da Unimep decidiu não aceitar a proposta de Davi Ferreira Barros e decretar a greve geral, com início na próxima quinta-feira. É o começo do fim de um período conturbado que, audaciosamente, Davi Barros provocou.
Quando Davi Ferreira Barros assumiu a reitoria da Unimep, acumulando o cargo de diretor geral do IEP, foi advertido de que o seu estilo personalista e arbitrário, acatado na universidade metodista de São Bernardo, não seria acolhido em Piracicaba. E a razão era profunda, enraizada: por quase 40 anos, a Unimep lutou por sua autonomia e alcançou uma forma de gestão colegiada que é um exemplo para as universidades brasileiras. Seus colegiados e conselhos, a participação e a eleição de diretores e coordenadores, foram uma conquista árdua que nenhuma portaria autoritária conseguiria derrubar tão facilmente. Desde dezembro de 2006, o arbítrio de Davi Ferreira Barros paralisou a Universidade. E ele, mesmo decretando o recesso das aulas no ano passado, mesmo pressionando e com ameaças públicas e veladas, não conseguiu impor seu estilo e seu “novo modelo de universidade”, mercantilista, autoritário e messiânico.
O resultado foi a união dos professores e de alunos em defesa da legalidade, um paradoxo notável: enquanto a Igreja Metodista, por sua cúpula agora pentecostalista, fortaleceu os erros, as agressões e a ousadia de Davi Barros, os corpos docente e discente deram um basta, disseram não, numa lição que conciliou o Legal e o Moral de maneira exemplar e irônica à intromissão eclesial na universidade.
Em assembléia que se encerrou às 23h10, a proposta de Davi Barros foi rejeitada. Dos 170 participantes, 169 votaram contra a proposta, havendo uma abstenção. Os oradores, cerca de 20, manifestaram seu repúdio ao “novo modelo de universidade” imposto por Davi Barros, causando, a partir de agora, uma situação incontornável, pois a derrota fragorosa tira, do reitor intervencionista, qualquer possibilidade de se manter no cargo. Encaminhando a proposta, a assembléia decidiu: greve geral, a partir da próxima 5ª.feira, assegurando 48 h. para adequações administrativas e judiciais.
Assembléia dos estudantes e reação
A reação contra Davi Ferreira Barros, por parte dos estudantes, chegou a um limite máximo de tensão. O reitor, no campus Taquaral, foi cercado por um grupo de jovens que, em altos brados, praticamente o encurralaram, exigindo o “retorno à legalidade” e prometendo reação imediata. Na tarde da terça-feira, o DCE terá uma assembléia para decidir os rumos que serão tomados, decisões que serão ainda mais legitimadas pelo fato de a Reitoria ter concordado com que o DCE fosse participante das tentativas de acordo.
Nesta mesma terça-feira, 13/03, inicia-se, em São Paulo, o conclave do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, sendo a situação na Unimep um dos pontos básicos do encontro, mesmo porque há bispos, não pertencentes à ala pentecostal, vivamente preocupados com a exposição a que foi colocada a história e a privacidade da Igreja Metodista em todo o Brasil.

fonte: Jornal A província
link: http://www.aprovinciaonline.com.br/goto/store/textos.aspx?SID=77259860d3e5ec9ed30172ee2739a478&id=3242

Um comentário:

CAMILLA disse...

Estamos passando por um problema muito parecido aqui na Metodista do Espírito Santo. Sou aluna do Terceiro periodo de Direito (portanto ainda não tenho muito conhecimento). Alguem poderia informar quais as medidas jurídicas que nós, alunos, podemos tomar? O DCE não é muito atuante aqui, então estamos um pouco perdidos...